Transformar um espaço

O SESC Interlagos é uma ilha de verde na quebrada. O sítio, de 50 hectares à margem da represa de Guarapiranga, reúne complexo esportivo, obras de arte, floresta, agrofloresta e um viveiro.

Lila, da equipe de agentes do viveiro, entrou em contato comigo no ano passado para pedir uma intervenção: queriam mexer no pomar e aumentar suas potencialidades lúdicas, deixar o espaço mais apetitoso para crianças e adultos brincarem.

DSCN3340Como era o espaço do pomar

A concepção do projeto foi co-criada e priorizou por utilizar o material orgânico disponível no SESC, produzir as próprias mudas com antecedência, criar um jardim que estimulasse o brincar livre e fazer instalações e mobiliário que unissem arte e sustentabilidade.

Após cinco meses de planejamento, nossa equipe desembarcou na unidade pra colocar as mãos na mata. Tínhamos 5 dias e cinco profissionais. Peetssa, nosso samurai, ficou com o viveiro de bambu e os cortes nas toras. Marina cuidou da palha, das mudas, da terra. Lou fez o túnel de palha e lixou madeira como uma louca. Massa foi pau pra toda obra, queimou bambu, fez cirurgia em microplantas, carregou e descarregou. Eu fiquei brincando por ali, montando jogos e esculturas, trabalhando entre o ferro e a tinta, a lixa e o lixo. Caíto e Pedro ajudaram também, de volantes. A equipe do SESC ( Lila, Gabi, Mariano, Gustavo, Eveline e Felipe) foi sensacional e esse apoio que nos deram fez toda a diferença no resultado.

preparação 2

preparação 3

O último dia foi dedicado aos detalhes, arte e beleza. Esculturas sutis, jogos com sobras de material, flores, ferramentas para as crianças, grafite no muro.

Inauguramos o espaço no feriado com uma oficina aberta para o público. Nessa hora parece que toda nossa energia e alegria da semana se plasmou na presença das pessoas que chegaram com cautela e curiosidade.

Brincamos de verdade! E de repente o jardim estava cheio de crianças!

Quando as crianças criam os adultos se calam.

Avião

Aros

Pudemos observar como as crianças e adultos interagiram com o espaço para continuar transformando e melhorando. Um espaço vivo nunca está pronto, vive em processo!

ViveirotroncoMediaçãoBrincar Livre

 

Transformar um espaço é algo poderoso, ainda mais se as famílias que irão frequentar têm poucas outras oportunidades de interagir com ambientes naturais.

Injetar vida, abrir caminhos, convidar para brincar, pisar com carinho na natureza. Como diria minha amiga Lesly, cria que voa!

Banco

O espaço será permanente! Venha visitar o Jardim das Brincadeiras do SESC Interlagos quando quiser!

Interlagos equipeNossa equipe da esq pra dir: Lou, Marina, Gui, Peetssa e Massa.

 

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Encontros no jardim

Um dos meus programas favoritos atualmente é contemplar as crianças brincando na natureza. Verdade, alegria, liberdade, encontro.

A partir do bambu produzimos uma tirolesa, um andaime, um sistema para a semente correr, uma ponte.

Compartilho o filme com algumas das imagens de sábado passado!

Retratos do Jardim das Brincadeiras

Muitas famílias chegaram, experimentaram os brinquedos que preparamos, molharam as mãos e os pés, entraram no rio, caminharam nas pedras, nos troncos, balançaram entre as árvores, inventaram novas possibilidades, dividiram frutas, alimentaram o fogo (e as cadelas). Eu fico olhando isso tudo meio extasiado, porém presente. Fotos minhas e do Igor Pavesi.

 

Vinte dias contemplando as crianças na natureza

Setembro é fim de verão, mas já faz frio na Alemanha e Holanda. Chove às vezes e folhas amarelam. Outono bate na porta. Quase sempre de bicicleta, deambulei, percorri parques urbanos atrás de espaços divertidos e selvagens pras crianças.

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Em Freiburg, na Alemanha, participei de uma “Missão Técnica” promovida pelo Instituto Alana para ver de perto as políticas públicas da cidade para inclusão, mobilidade e participação das crianças. Bairros amigos das crianças com espaços livres de carros, florestinhas urbanas, jardins para brincar, uma realidade próxima do sonho.

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De volta a Holanda pedalei todo dia pelos parques das cidades e encontrei lugares que me fizeram apurar o olhar: chamei de Arqueologia da Brincadeira Selvagem o encontro com espaços como esse onde houve brincadeira, há sinais, embora não seja um parquinho institucional.

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Virou uma brincadeira: descobrir os vestígios da brincadeira orgânica. Foram diversos achados:

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Chama a atenção a diversidade de mobiliário em parquinhos urbanos, um diferente do outro, quase nunca com os mesmos brinquedos, como aqui no Brasil.

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Mas o melhor ainda estava por vir. Em Rotterdam e Amsterdam há espaços projetados para a criança ter uma experiência mais selvagem e livre na natureza. Muitas vezes com água, canais, laguinhos, pontes. Então pude contemplar o prazer da descoberta, da aventura, do risco. Criança feliz deixa a sociedade mais viva!

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A pré-estreia do jardim

Foi um sábado de sol. Pude contemplar as crianças na sua plenitude brincando e explorando o ambiente que preparamos. Nada mais delicioso do que isso. Fiz algumas imagens, uma sopa de cebola na fogueira, brinquei no rio com Tatá, Agninha, Nininho e Lesly. Mais uma parte do meu coração foi preenchida. Não falta muito.

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Veja o filme aqui